sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ashes to ashes, dust to dust.

Quem já não teve alguém querido que partiu? Quem já não pôde sentir essa ausência dolorosa que a morte nos traz? Quem já não vislumbrou que as lágrimas não amenizariam a dor? Todos nós, eu digo. Todos nós temos isso em comum.

Dizem que o tempo cura tudo. Eu discordo. Ele só ameniza o sofrimento, torna as coisas confortáveis e mais fáceis de serem encaradas. Algumas pessoas — raríssimas — fogem a essa regra; são impossibilitadas de dar a volta por cima. Essa sensação de frustração eu conheço.

E como se não bastasse a saudade, há as lembranças. Elas são mais cruéis. Ocasiões que não podem ser repetidas, apenas imortalizadas na memória. Por mais que seja agradável tecer pensamentos com o passado, é necessário desapegar-se a ele. Por mais que o peito lateje, por mais que a ferida da perda ainda não tenha cicatrizado. Eles estão em um lugar muito melhor que o nosso.

Para Silvia.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Broken promises for broken hearts.

Ele lhe era tão presente quanto uma chaga que invade os poros e marca a tez. Ou um nome que escapa à boca e adoça os lábios. Apesar dessa consciência cega e abafada de que pertencia a ele, evitava-o com um asco falso e ofensivo. Berrava aos ventos que a tangiam que encontrava-se dura e inteira. Talvez tal invento lhe soasse sincero aos ouvidos (já tão habituados ao silêncio da noite que ela protegia com as mãos ternas e trêmulas).

Como sua memória pôde trair-lhe? Ele quem cravara os dentes em sua carne e roubara a lucidez — a beleza, a candura que ele amara com uma intensidade pueril de um assassino. Etiquetou-a para a eternidade. “Para sempre minha”, as letras berravam.

Assim como a certeza de que ele partira e embrulhara as promessas desfeitas, ela sabia: jamais seria a mesma.