sexta-feira, 23 de abril de 2010

Gone.

Sinto falta de como sua voz soa aos meus ouvidos. Do abraço, dos olhos que me fazem despencar de um precipício que só eu vejo. Sinto falta das promessas vazias, do sorriso, do chá às cinco, da sua fragrância na ponta de meus dedos. (Do seu reflexo no espelho, dos passos tão estrategicamente calculados, de sua partida.)
Sinto falta das minhas lágrimas mornas no travesseiro, dos meus soluços rebatendo (rebatendo e rebatendo) nas paredes desgastadas pelo tempo. Principalmente, sinto falta do que não ocorreu. Das lacunas que tentei preencher com tardes e mãos dadas que não existiram, das declarações que eu tanto desejei, mas que nunca escaparam de seus lábios. (Nunca, nunca, nunca.)
Mas essas confissões só são dignas destas folhas amareladas na qual escrevo, e dessa tinta — quase acabada — da caneta que encontrei embaixo da escrivaninha. É sua.
Talvez a guarde como recordação do seu toque, ou a arremesse pela janela em nome da dor.
Pois já é madrugada e você não está aqui.